FOLHA DE SÃO PAULO
"A fábrica de caleidoscópios do professor Dias"
São Paulo - A casa do professor de geografia Sylvio Tamoyo Dias, morador da Vila Gustavo, zona norte de São Paulo, é um dos raros lugares na cidade que ainda fabricam caleidoscópios. A idéia surgiu há 18 anos, quando Dias trabalhava em uma loja cujo nome era o deste objeto. “Todos os dias mudávamos tudo, como um caleidoscópio. Sugeri aos proprietários fazer alguns para vender na loja”, conta.
Sua pequena fábrica então nasceu e continuou, sempre produzindo artesanalmente. Trabalham no local duas pessoas, uma delas é o aposentado Francisco Cerqueira. Depois que deixou de atuar como metalúrgico, Cerqueira diz que começou a “brincar de trabalhar” no local. “É um pouco de diversão isso aqui, além de fazer os aparelhos tradicionais, fico inventando outras opções.”
A fábrica vende os itens para lojas de brinquedos educativos e também prepara kits para escolas. “Eu mesmo vou ensinar as crianças a montar e explico um pouco sobre a história do objeto”, diz Dias.
Espelhos
Segundo Dias, o engenho não tem uma história oficial. Depois de pesquisar muito sobre o assunto na internet, ele descobriu algumas referências: a primeira vez que apareceu oficialmente teria sido em 1818, na Escócia, feito por David Brewster.
“Mas diz a lenda que o caleidoscópio existe desde que o homem teve contato com o espelho”, explica. O artefato usa três espelhos, uma lente e alguns objetos pequenos, coloridos e móveis, cuja imagem é refletida e compõe formas interessantes.
Outra história é a dos tapetes persas, que nunca são iguais uns aos outros. “Talvez eles tenham usado a idéia do caleidoscópio para fazê-los.”
A palavra é de origem grega e significa “olhar o belo”. Hoje, sua produção se resume a Taiwan, Estados Unidos, Itália e Brasil. Também há registros do caleidoscópio na China, segundo o professor.
Os caleidoscópios de Dias têm preços entre R$ 3,00 e R$ 10,00. A fábrica Kaleidoscópio Brinquedos fica na Rua Major Dantas Cortez 244, fone 11-6987-0136.
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